Orixás são divindades do nosso universo espiritual e cada um tem suma importância na natureza e influência total em nossas vidas

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Exu
EXÚ, Laroyê!

Exú é o mensageiro dos orixás, elemento de ligação entre as divindades e os homens, a um tempo mais próximo do mundo terreno e mais perto do elevadíssimo espaço celeste por onde transita Òrúnmìlà, é um orixá, é sempre a primeira divindade a receber as oferendas, justamente para que atue como um aliado e não como um rival que perturbe os procedimentos místicos desenvolvidos durante os rituais. Coerente com seu lugar mítico privilegiado, é ele que abre esse corpus mitopoético.

Princípio dinâmico e princípio da existência individualizada, Exú não pode ser isolado ou classificado em nenhuma das categorias. Ele é como o axé (que ele representa e transporta), participa forçosamente de tudo.
Segundo Ifá cada um tem seu próprio exú e seu próprio Olorún em seu corpo.
O nome de exú é conhecido, invocado e cultuado junto ao orixá. E é Ifá quem revela e permite-nos sabê-lo.
O Òkòtó representa o crescimento
Agbárá - poder que permite a cada um se mobilizar e desenvolver suas funções e seus destinos. Por isso recebe o título de Elegbára (senhor do poder).
Quem delegou esse poder à exú foi Olorún ao entregar-lhe o àdó-iràn , a cabaça que contém a força que se propaga. Esta cabaça está presente em seus assentos, é uma cabaça de pescoço grande, e basta exú apontá-la a algo para transmitir seu axé.
Exú Elegbára é o companheiro de Ogun.
Exú Yangi, pedra vermelha de laterita, pedaços de laterita cravados na terra, indicam o lugar de culto à Exú. Yangi é a representação mais importante de Exú e, é assim invocado:
EXÚ YANGI OBÁ BABÁ EXÚ
EXÚ YANGI rei, pai de todos os Exú.
Exú Yangi é o Exú ancestre, o Exú Agbá.
Oxé-tuwá, representante direto de exú, simboliza um de seus aspectos mais importantes, o de ser encarregado e transportador das oferendas, Òjise-ebo.
Exú por ser resultado da interação de um par, é o portador mítico do sêmen e do útero ancestral e como princípio de vida individualizada ele sintetiza os dois, É por isso que frequentemente, e, é representado pela forma de um par, uma figura masculina e uma feminina, unidos por fileiras de búzios.
Exú está profundamente ligado à atividade sexual. Representados por um falo (pênis), ou suas representações simbólicas como: os penteados de forma fálica, sua arma, o ogó - bastão em forma de pênis -, sua lança; já as cabacinhas representam seus testículos.
Exú também está representado com objetos à sua boca; dedo, cachimbo e principalmente flauta, que vem representar a atividade sexual, como absorção e expulsão, ingestão e restituição, com a flauta Exú chama seus descendentes. Portanto símbolo por excelência da fecundidade.
Exú jamais toma a forma de procriador.
Exú é cultuado tanto como lésè-égún, como lésè-orixá, e apenas por seu intermédio é possível cultuar os orixás e as Iyá-mi (mãe ancestre).
Não é apenas Òjisé-ebo, mas principalmente Òjisé, o mensageiro, fazendo a comunicação entre tudo que é oposto.
Com efeito a relação entre Exú e Ifá, é indiscutível, e Exú está representado em um dos principais emblemas característicos do culto à Ifá , o òpón, onde Exú tem sua representação em forma de rosto, de triângulos e losangos.
É no seu papel de princípio dinâmico, de princípio de vida individual e de Òjise ou elemento de comunicação, que Exú Bará está indissoluvelmente ligado à evolução e ao destino de cada indivíduo. Como tal ele também é senhor dos caminhos Exú Olònà, e ele pode abri-los ou fechá-los.
Exú fica à esquerda dos caminhos. O elemento procriado, é a prova do poder das Iyá-mi, é o pássaro, o Elèye.
Exú foi o primeiro a usar ekódide (pena de uma espécie de papagaio) na cabeça, e foi isto que o tornou decano de todos os orixás. Alguém que coloca ekódide na cabeça sem necessidade, provoca a cólera de Exú.
Enganosamente ou mal intencionados, os primeiros missionários que chegaram à África, compararam-no ao diabo, por algumas de suas formas, artimanhas e poderes atribuídos. Ele tem as qualidades dos seus defeitos, pois é dinâmico e jovial, havendo mesmo pessoas na África que usam orgulhosamente nomes como Èxúbíyìí (concebido por exú), ou Èxùtósìn (Exú merece ser adorado).
Como personagem histórica, Exú teria sido um dos companheiros de Odùduà, quando da sua chegada à Ifé, e chamava-se Exú Obasin. Tornou-se mais tarde, um dos assistentes de Orúnmilá, que preside a adivinhação pelo sistema de Ifá. Segundo Epega, Exú, tornou-se rei de Kêto sob o nome de Exú Alákétu.
É Exú que supervisiona as atividades do rei em cada cidade: o de Oyó é chamado Exú Akesan.
Como orixá, diz-se que veio ao mundo com um porrete, chamado, ogó, que teria a propriedade de transportá-lo, a centenas de quilômetros e de atrair, por um poder magnético, objetos situados a distâncias igualmente grandes.

Certa vez, dois amigos de infância, que jamais discutiram, esqueceram-se de fazer-lhes as oferendas devidas. Foram para o campo trabalhar, cada um na sua roça. As terras eram vizinhas, separadas apenas por um estreito canteiro.
Exu, zangado pela negligência dos dois amigos, decidiu preparar-lhes um golpe à sua maneira. Ele colocou sobre a cabeça um boné pontudo que era branco do lado direito e vermelho do lado esquerdo, seguindo depois para o canteiro.
Chegando à altura dos dois trabalhadores amigos, muito educadamente os cumprimentou: Bom trabalho, meus amigos! Estes, gentilmente, responderam-lhe: Bom passeio, nobre estrangeiro!
Assim que Exu afastou-se, o homem que trabalhava no campo à direita, falou com seu companheiro:
Quem poderia ser este personagem de boné branco?
Seu chapéu era vermelho, respondeu o homem do campo à esquerda.
Não, ele era branco, de um branco de alabastro, o mais belo branco que existe!
Ele era vermelho, um vermelho escarlate de fulgor insustentável!
Ele era branco, trata-me de mentiroso?
Ele era vermelho, ou pensas que sou cego?
Os dois amigos tinham razão e estavam furiosos da desconfiança do outro. Irritados, eles agarraram-se e começaram a bater-se, até caírem exaustos no chão.
Exu gargalhava, pois estava vingado!

Isto não teria acontecido, se as oferendas à Exu não houvessem sido negligenciadas, pois Exu pode ser o mais benevolente dos orixás se é tratado com consideração e generosidade.
Uma maneira hábil de obter um favor de Exu é preparar-lhe um golpe mais astuto que aquele que ele mesmo prepara...mas isso já é uma outra história...

Ogum
OGUM, Ogum yê!

Ogum é o orixá mais importante da cultura afro-brasileira. Filho de Oduduá e Iemanjá, no Brasil identifica – se como São Jorge (daí a fama de santo guerreiro). Seu ambiente preferido é qualquer lugar ao ar livre. Com muita determinação, vence qualquer combate. Também é o senhor das guerras e protege militares, os combatentes, além de todos os profissionais ligados ao ferro, como serralheiros e metalúrgicos e também os lavradores.

Todos os filhos deste orixá são guerreiros e lutam por liberdade e independência. Gostam de se divertir e rejeitam qualquer atividade que os faça ficar parados por muito tempo. São amantes das viagens e paisagens. Às vezes egoístas e briguentos, amam cegamente quando se entregam de verdade.

CONHECENDO MAIS SOBRE OGUM

Ogun é na África, em país Yorubá, o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam este metal: agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores de madeira. Desde o início do século, os mecânicos, os motoristas de automóveis ou de trens, os reparadores de velocípedes e de máquinas de costura vieram se juntar ao grupo de seus fiéis.

No Brasil, Ogun é sobretudo conhecido como Deus dos Guerreiros. Perdeu sua posição de protetor dos agricultores, pois os escravos, nos séculos anteriores não possuíam interesse pessoal na abundância e na qualidade das colheitas e, sendo assim, não procuravam sua proteção nesse domínio. Como deus dos caçadores ele foi substituído por Oxossi cujo culto era muito popular em Ketu, local de origem dos escravos libertos que criaram os primeiros candomblés da Bahia.
No Brasil, Ogun é uma única divindade, tendo, porém, sete nomes: 1. Ogun Mejê; 2. Ogun Alagmedé; 3. Ogun Onirê; 4, Ogun Alakorô; 5. Ogunjá; 6. Ogun Ominí, 7. Ogun Wari.
O nome Ogun Mejê teria a sua origem na frase em Yorubá Ogun Mejê Mejê Lodê Iré (Ogun está nas sete partes do Iré"), alusão a sete vilarejos, hoje desaparecidos, que teriam existido em volta de Iré. Este número sete, que lhe é associado, é representado nos locais que lhe são consagrados por instrumentos de ferro forjado, em número de sete, quatorze ou vinte e um, alinhados todos sobre uma haste de ferro: lança, espada, enxadas, torquês, facão, ponta de flecha, enxó, símbolos de suas atividades guerreiras, agrícolas, de ferreiro, de caçador, de escultor, etc.

A origem deste número sete. ligado a Ogun, e do número nove em relação a Oyá-Yansã nos é relatada por uma lenda onde Oyá era a companheira de Ogun Alagbedê (2.º da lista) - Ogun o ferreiro - antes de se tornar mulher de Xangô Ela ajudava Ogun no seu trabalho, levava docilmente suas ferramentas da casa para a oficina e, lá, ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia, Ogun ofereceu a Oyá uma vara de ferro, parecida com uma de sua propriedade, e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres quepor ela fossem tocados, no decorrer de uma luta. Xangô gostava de vir sentar-se à forja a fimde apreciar Ogun bater o ferro e, freqüentemente, lançava olhares a Oyá; esta, por seu lado, furtivamente o olhava. Xangô era muito elegante, muito elegante mesmo, afirma o contador da história. Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá e, um belo dia, ela fugiu com ele. Ogun lançou-se a sua perseguição, encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E, assim, Ogun foi dividido em sete partes e Oyá em nove, recebendo ele o nome de Ogun Mejê (1.º da lista).

Ogun teria sido o filho mais velho de Odudúa, o fundador de Ifé. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Guerreou contra a cidade de Ará e destruiu. Apossou-se drrra cidade de Iré, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oniré, rei do Iré, sendo chamado Ogun Oniré (3.º da lista).

Por razões que ignoramos, ogun nunca teve direito de usar uma coroa, Ade, feita co pequenas contas de vidro e ornada por franjas de missangas, dissimulando o rosto, emblema de realeza par os Yorubás. Foi autorizado a usar, apenas, um simples diadema, chamado Akorô, e isto lhe valeu ser saudado como Ogun Alakorô (4.º da lista). Ogun decidiu, após numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho. Infelizmente as pessoas da cidade, celebravam, no dia de sua chegada, uma cerimônia durante a qual os participantes não podiam falar, sobre pretexto algum. Ogun tinha fome e sede. Descobriu alguns potes destinados a vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não reconhecia o local por ter ficado ausente durante muito tempo.

Ogun, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, para ele considerado ofensivo. Começou a quebrar, com golpes de sabre, os potes e, logo depois, sem poder se conter, começou a cortar a cabeça das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, tais como cães e caramujos, feijões regados com azeite de dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Iré cantavam louvores onde não faltava a menção a Ogunjajá, que vem da frase Ogun je ajá - "Ogun come cachorro"- oque lhe valeu o nome de Ogunjá ( 5.º nome da lista). Satisfeito e calmo, Ogun lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra a dentro, transformando-se em Orixá.

No Brasil, as pessoas consagradas a Ogun usam colares de conta de vidro azul-escuro e, algumas vezes, verde. Terça-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Seu nome é sempre mencionado, por ocasião de sacrifícios dedicados aos diversos Orixás, no momento em que a cabeça do animal é decepada com uma faca - da qual ele é o senhor - e o sangue começa a escorrer. É o primeiro, também, a ser saudado depois de Exú, devidamente cumprimentado, é despachado. No momento da entrada dos Orixás manifestados e vestidos com suas roupas simbólicas, é sempre Ogun que desfila na frente, "abrindo o caminho" para os outros Orixás.
Esta primazia foi, no entanto, contestada por Obaluayé e Nanan Buruku que, como veremos mais tarde, se insurgiram contra ela e, para provar sua maior antiguidade de vinda ao mundo, se recusaram a utilizar facas de ferro forjado por Ogun, este"recém-chegado" !!! Ogun é também representado por franjas de folhas de dendezeiro, devidamente desfiadas, chamadas Mariwó. Era, segundo se diz, a roupa por ele usada, em outros tempos, quando a tecelagem ainda não tinha sido inventada.

Estes Mareiwós, pendurados em cima da porta e das janelas de uma casa, ou na entrada dos caminhos, representam proteções e barreiras contra as más influências.

Na África, os locais consagrados a Ogun ficam ao ar livre, na entrada dos palácios dos reis e nos mercados. São geralmente pedras em forma de bigorna colocadas sob uma grande árvore, Araba, ( Ceiba Pentandra) e protegidas por uma cerca de nativos, Peregún (Draceana fragans) ou de Akoko (Newboldia laevis). Nestes locais, periodicamente, realizam-se sacrifícios de cachorros e de galos.
O culto de Ogun é bastante difundido no conjunto dos territórios onde se fala o Yorubá e ultrapassa as fronteiras dos países vizinhos, Gegês, no Daomé e no Togo, onde é chamado de Gun. Em todos estes países, Ogun-Gun é respeitado e temido. Tomá-lo como testemunha, no decorrer de uma discussão, tocando com a ponta da língua a lâmina de uma faca, ou um objeto de ferro, é sinal de sinceridade absoluta. Um juramento feito, evocando-se o nome de Ogun, é mais solene e digno de fé que se possa imaginar, comparável àquele que faria um cristão sobre a Bíblia ou um muçulmano sobre o Corão.

A vida amorosa desse Orixá caracteriza-se pela instabilidade. Ogun foi o primeiro marido de Oyá-Yansã, aquela que se tornaria, mais tarde, mulher de Xangô. Teve, também, relações com Oxun antes que ela fosse viver com Oxossi e com Xangô. E, também, com Obá, a terceira mulher de Xangô. Teve numerosas aventuras galantes quando partia para as guerras, tornando-se, assim, o pai de diversos outros Orixás, como Oxossi e Oranmiyan.
Oranmiyan, ao que se diz, fora concebido em condições muito particulares, dificilmente aceitas por um geneticista, pois teria tido dois pais ao mesmo tempo... De acordo com a lenda, Ogun, no decorrer de suas expedições guerreiras, conquistou a cidade de Ogotum, saqueou-a, dela retirando valiosos despojos. Uma prisioneira de rara beleza, Lakanjé, agradou-o ele não respeitou a sua virtude. Mais tarde, quando a mesma mulher foi vista por Odudúa ( pai de Ogun) este mostrou-se igualmente perturbado, desejou possuí-la, tornando a finalmente como uma de suas mulheres.
Ogun, amedrontado, não revelou a seu pai o que havia se passado entre ele e a bela prisioneira. Nove mês mais tarde, Oranmiyan vinha ao mundo . Seu corpo, entretanto, estava dividido verticalmente em duas dores: marrom de um lado, pois Ogun possuía a cor escura, e amarelo do outro, como Ododúa, que era bastante claro de pele.

Oranmiyan tornou-se um temido guerreiro, estabeleceu aliança com Elempe, rei do país Tapa-Nupé, casando-se com sua filha Torossí. Desta união nasceu Xangô, do qual falaremos mais tarde. Oranmiyan fundou o reino de Oyo, onde colocou sobre o trono Dada-Ajaka, seu filho mais velho, concebido com outra mulher; instalou seu terceiro filho, Eweka, como rei de Benin e tornou-se, ele próprio, Oni, rei de Ifé, depois da morte de Ododúa.

As saudações, Oriki, festa a Ogun na África demonstram seu caráter aterrador e violento:
Ogun que tendo água em casa, se lava com sangue.
Os prazeres de Ogun são os combates e as lutas.
Ogun come cachorro e bebe vinho de palma.
Ogun, o violento guerreiro.
O homem louco com músculos de aço.
o terrível Ebora que se morde a si próprio sem piedade.
Ogun que come vermes sem vomitar.
Ele mata o marido no fogo e a mulher à beira do fogareiro.
Ele mata tanto o ladrão como o proprietário da coisa roubada.
Ele mata tanto o proprietário da coisa roubada como aquele que critica esta ação.

O arquétipo de Ogun é o das pessoas violentas, brigonas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda esperança. Das que possuem humor mutável, passando furiosos acessos da raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.

Oxossi
OXOSSI, Okê!

Oxossi é irmão de Ogum e Exu e possui características semelhantes às dos irmãos. É o guerreiro das matas que busca alimento para sua família. Sua maior preocupação era preservar todas as espécies de vida animal para que elas não se extinguissem e, assim, não acabasse o alimento para a humanidade. Corajoso e viril, é considerado o mais bonito e charmoso dos orixás.

Diz a lenda que Oxossi abandonou sua família por um encantamento de Ossaim, mesmo sendo alertado por sua mãe Iemanjá. Depois disso, ela teria impedido que ele voltasse para casa, obrigando – o a viver nas florestas. Isso fez com que ele aprimorasse seus dotes de caçador, mas sua vida foi de solidão e abandono. Os filhos de Oxossi têm bastante jovialidade e rapidez física e mental. Também são vaidosos e intuitivos.

CONHECENDO MAIS DE OXOSSI

Oxossi, deus dos caçadores, seria irmão mais jovem ou filho de Ogun. Seu culto encontra-se quase extinto na África, nos países de língua Yorubá, o entanto é muito difundido no Novo Mundo, tanto no Brasil quanto em Cuba. Isto explica-se, talvez, pelo fato de Kétu, na África, haver sido completamente destruído e saqueado pelas tropas do rei Daomé, no século passado, sendo os seus habitantes vendidos como escravos para o Brasil e para a Cuba,

inclusive os iniciados no Culto de Oxossi, chegou-se a tal ponto que, embora existindo ainda, em Kétu, os locais onde Oxossi recebia outrora oferendas e sacrifícios, já não existem, atualmente, pessoas que saibam ou desejam cultuá-lo.
No Brasil, seus numerosos iniciados usam colares de cor verde ou azul claro quinta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado; Oxossi tem como o símbolo, tanto na África como no Brasil, um arco e flecha de ferro batido; sacrificam-lhe porcos e são-lhe oferecidos pratos de Axoxo, milho fervido, servido com pedaços da polpa de coco. Oxossi é sincretizado na Bahia com São Jorge e, no rio de Janeiro, com São Sebastião. No decorrer das cerimônias públicas do Xiré dos Orixás, ele segura em uma das mãos o arco e a flecha, seus símbolos, e tem na outra um Erukerê, espanta-moscas, insígnia de dignidade dos reis da África e que lembra e ter sido ele so rei de Kétu. Suas danças imitam a caça, a perseguição do animal e o arremesso da flecha. É sau dado com o grito Oké
A importância de Oxossi devi-se, na África, a diversos fatores:
O primeiro, era descoberta, no decorrer de suas expedições, de local favorável ao estabelecimento de uma roça ou de um vilarejo. Tornava-se, assim, o primeiro ocupante do lugar e senhor da terra, Onilé, com autoridade sobre os habitantes que aí viessem a se instalar posteriormente.
O terceiro, de ordem administrativa e policial pois, outrora, os caçadores, Odés, eram os únicos a possuir armas nos vilarejos, servindo também como guardas noturnos, Oxós.
uma lenda explica a origem do nome de Oxossi:
Olofin Odudúa, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, esquecendo-se, porém, de fazer uma oferenda às feiticeiras. Havia grande multidão no pátio do Palácio Real.
Olofin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros, enquanto que escravos o abanavam e espantavam moscas, tambores batiam e louvores eram entoados em sua honra. Os convivas conversavam alegremente, e felizes festejavam o vento, comendo os inhames novos e bebendo vinho de palma. Subitamente, um pássaro gigantesco planou sobre a multidão, indo se empoleirar sobre o teto do prédio central do Palácio do Rei. Este pássaro malvado era mandado pelas feiticeiras, chamadas Eleyés, proprietárias de pássaros utilizados na realização de nefastos trabalhos. No Palácio reinava a confusão e o desespero. Foram procurados, sucessivamente, quatro Oxós, caçadores guardiães da noite, chamados respectivamente de Oxotôgun, o atirador de vinte flechas, Oxotoji, o atirador de quarenta flechas, Oxatadotá, o atirador de cinqüenta flechas e Oxótakanxox, o atirador de uma única flecha. Nenhum dos três primeiros - todos muitos seguros de si mesmo um pouco fanfarrões - conseguiu atingir o pássaro, apesar de possuírem, todos eles, grande habilidade. O pássaro, de proporções gigantescas, era protegido pelo poder das feiticeiras.
Quando chegou a vez de Oxótakanxox, sua mãe foi consultar um Babalaô que lhe declarou o seguinte: Seu filho está somente a um passo, seja da morte, seja da riqueza. Faça uma oferenda e a morte se transforma em riqueza.
Ela foi depositar, então, na estrada, uma galinha que havia sido sacrificada, cortando-lhe e abrindo-lhe o peito, pois essa foi a boa maneira de se fazer uma oferenda às feiticeiras. A mãe de Oxátakanxoxô pronunciou três vezes um encantamento: Que o peito do pássaro aceite esta oferenda!!! Era o momento preciso em que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro deixara relaxar, exatamente agora, o seu poder protetor, o qual teria impedido a oferenda de chegar ao seu peito e, assim, a flecha de Oxátakanxoxô o atingiu em cheio. Ele caiu pesadamente ao chão e morreu. Todo mundo se pôs a cantar e a dançar:
Oxowusi! Oxo é popular! Oxowusi! Oxo é popular!
Com o passar do tempo, Oxowusi transformela ou-se em Oxossi.

Conta-se no Brasil, que Oxossi era irmão de Ogun e de Exú, todos três filhos de Yemanjá. Exú, por ser indisciplinado e insolente com sua mãe, foi por mandado embora.

Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogun trabalhava no campo e Oxossi caçava nas florestas vizinhas. A casa encontrava-se, assim, abastecida de produtos agrícolas e de caça. Yemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um Babalaô. Este aconselhou não mais deixar Oxossi ir à caça, pois se arriscava a encontrar Osanyin, aquele que possuía o conhecimento das virtudes das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Oxossi ficaria exposto, assim, a um feitiço de Ossanyin para obrigá-lo a permanecer em sua companhia.
Em vista disto, Yemanjá ordenou ao filho que renunciasse às suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou as suas incursões à floresta. Partia em companhia de outros caçadores que tinham o hábito de, ao chegarem aopé de uma grande árvore, Iroko (Chlorophora excelsa), se separarem, indo à caça isoladamente, para se encontrarem, no final do dia, no mesmo local. Certa noite, Oxossi não voltou ao local do encontro, nem respondeu aos apelos dos outros caçadores. Ele tinha encontrado Ossanyin que o convidou à beber uma poção onde certas folhas tinham sido maceradas, caindo assim em estado de amnésia. Não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, pois, vivendo em companhia de ossanyin, como havia previsto o Babalaô.
Ogun, inquieto pela ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe de volta, mas Yemanjá , irritada, não quis receber o filho desobediente. Revoltado com a intransigência materna, Ogun recusou-se a continuar em casa. É por este motivo que o local consagrado a ogun encontra-se sempre ao ar livre. Quanto a Oxossi, este preferiu voltar para a floresta, para perto de Ossanyin, Yemanjá desesperada por ter perdido os três filhos, transformou-se em um rio.
O contador desta lenda, no Brasil, destaca o fato de que estes quatro deuses Yorubás-Exú, Ogun, Oxossi e Ossanyin - são igualmente simbolizados por objetos em ferro forjado e vivem todos eles ao ar livre.
O arquétipo de Oxossi é aquele das pessoas espertas, rápidas, sempre alertas e em movimento. São pessoas cheias de iniciativa e sempre na pista de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família, são hospitaleiras, generosas, amigas de ordem, mas gostam muito de trocar de local de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.

Uma lenda explica como surgiu o nome de Òsóòsì, derivado de Òsówusì (“o guarda-noturno é popular’’): “Olófin Odùduà, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, um ritual indispensável no início da colheita, antes do quê, ninguém podia comer desses inhames. Chegado o dia, um grande multidão reuniu-se no pátio do palácio real. Olófin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros, enquanto os escravos o abanavam e espantavam as moscas, os tambores batiam e louvores eram entoados para saudá-lo. As pessoas reunidas conversavam e festejavam alegremente, comendo dos novos inhames e bebendo vinho de palma. Subitamente um pássaro gigantesco voou sobre a festa, vindo pousar sobre o teto do prédio central do palácio. Esse pássaro malvado fora enviado pelas feiticeiras, as Ìyámi Òsòròngà, chamadas também as Eléye, isto é, as proprietárias dos pássaros, pois elas utilizam-nos para realizar seus nefastos trabalhos. A confusão e o desespero tomaram conta da multidão. Decidiram, então, trazer, sucessivamente, Oxotogun, o caçador das vinte flechadas, de Idô; Oxotogí, o caçador das quarenta flechas, de Moré; Oxotadotá, o caçador das cinqüenta flechas, de Ilarê, e finalmente Oxotokanxoxô, o caçador de uma só flecha, de Iremã. Os três primeiros, muito seguros de si e um tanto fanfarrões, fracassaram em suas tentativas de atingir o pássaro, apesar do tamanho deste e da habilidade dos atiradores. Chegada a vez de Oxotokanxoxô, filho único, sua mãe foi rapidamente consultar um babalaô, que lhe declarou: “Seu filho está a um passo da morte ou da riqueza. Faça uma oferenda e a morte tornar-se-á riqueza". Ela foi então colocar na estrada uma galinha, que havia sacrificado, abrindo-lhe o peito, como devem ser feitas as oferendas às feiticeiras, e dizendo três vezes: “Que o peito do pássaro receba esta oferenda". Foi no momento preciso que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro relaxou o encanto que o protegia, para que a oferenda chegasse ao seu peito, mas foi a flecha de Oxotokanxoxô que o atingiu profundamente. O pássaro caiu pesadamente, se debateu e morreu. Todo mundo começou a dançar e a cantar: “Oxó (Òsó) é popular! Oxó é popular! Oxowussi (Òsówusì)! Oxowussi!! Oxowussi!!!" Com o tempo, Òsówusì transformou-se em Òsóòsì.

Conta-se no Brasil que Oxóssi era irmão de Ogum e de Exu, todos os três filhos de Iemanjá. Exu era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Oxossi caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casa estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou proibir que Oxóssi saísse à caça, pois arriscava-se a encontrar Ossaim, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Oxóssi ficaria exposto a um feitiço de Ossaim para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu, então, que Oxóssi renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou suas incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore (ìrókò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Oxóssi não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos outros caçadores. Ele havia encontrado Ossaim e este dera-lhe para beber uma porção onde foram maceradas certas folhas, como a amúnimúyè, cujo nome significa “apossa-se de uma pessoa e de sua inteligência", o que provocou em Oxóssi uma amnésia. Ele não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossaim, como predissera o babalaô. Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe de volta, mas Iemanjá não quis mais receber o filho desobediente. Ogum, revoltado pela intransigência materna, recusou-se a continuar em casa (é por isso que o lugar consagrado a Ogum está sempre instalado ao ar livre). Oxóssi voltou para a companhia de Ossaim, e Iemanjá, desesperada por ter perdido seus filhos, transformou-se num rio, chamado Ògùn ( não confundir com Ògún, o orixá). O narrador desta lenda chamou atenção para o fato de que “esses quatro deuses Iorubás- Exu, Ogum, Oxóssi e Ossaim – são igualmente simbolizados por objetos de ferro forjado e vivem todos ao ar livre.

Omolu Obaluae
OMULU ou OBALUAÊ

Nana Buruke, queria um filho e pediu a Ifá, o Deus do destino, que revelasse o que ela desejava saber, e Ifá respondeu: que ela teria dois filhos com Oxalá, ela ficou muito feliz, passados alguns anos, Nana ficou grávida e teve o primeiro filho, pois o nome de Obaluaie, logo no primeiro olha o rejeitou, depois de alguns dias ela o abandonou na praia, numa cesta de palha da costa, deixou o garoto lá e saiu, passado no local YEMANJÁ, viu toda a cena, se aproximou da cesta e pegou a criança em seus braços, logo se encantou por aquela criança, cuidou dele como se fosse seu filho querido, sempre contou tudo o que lhe aconteceu.

Obaluaiê se transformou no lindo rapaz, que foi em busca das festas, mulheres, bebidas e se divertiu muito na sua mocidade, mas com isto trouxe muitas doenças venérias, e com varíola e outras doenças, Obaluaie um moço bonito começava a se transformar com o corpo todo machado e chagado das doenças ele envergonhado, pegou com um punhado de palha da costa, e fez uma roupa que lhe cobria da cabeça aos pés para que ninguém visse seu rosto nem seu corpo.

Certo dia numa grande festa onde estava todos os Orixás, todos convidados menos Obaluaie, que foi mesmo assim, e alguns se manifestaram contra sua presença, então Obaluaie com raiva ia joga suas pragas, doenças, cólera sobre os outros Orixás, mas Oxalá rei de todos os orixás, não deixou que isso acontece, logo Yansã senhora dos ventos lhe tirou para dança e quando eles dançavam os ventos começaram a sopra cada vez mais forte, os ventos comeram a levanta as palhas da costa e o corpo e o rosto de Obaluaie foram aparecendo, e todos viram o belo rosto e o moço bonito que se escondia debaixo de toda aquela palha.

Logo se transformou em um guerreiro terrível que, seguido de sua tropas, percorria o céu e os quatro cantos do mundo. Ele massacrava sem piedade aqueles que se opunham à sua passagem. Seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste. Assim ele chegou em território Mahí, no Daomé.

Quando souberam da chegada iminente de Obaluaie, os habitantes desta região consultaram, apavorados, o oráculo e ele assim falou: "Ah! O Grande, Guerreiro chegou de Empê!, Aquele que se tornará senhor do país!
Aquele que tornará esta terra rica e próspera, chegou!
Se o povo não o aceitar, ele o destruirá!
É necessário que supliquem a ele que os poupe. façam-lhe muitas oferendas; todas que ele goste: inhame pilado, feijão, farinha de milho, azeite de dendê, picadinho de carne de bode e muita, muita pipoca!
Será necessário também que todos se prostem diante dele, que o respeitem e o sirvam. Logo que o povo o reconheça como pai, Obaluaie não o cambaterá, mas protegerá a todos!"

Quando ele chegou, conduzindo seus ferozes guerreiros, os habitantes reverenciaram-no, encostando suas testas no chão e saudaram-no: "Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!" (respeito e submissão). Obaluaie acolheu os presentes e as homenagens e instalou-se assim entre os Mahís.
O país prosperou e enriqueceu.

Obaluaie é considerado o deus da varíola e das doenças contagiosas. Ele tem, também o poder de as curar. As doenças contagiosas que são, na realidade, punições aplicadas àqueles que se conduziram mal ou o ofenderam. Seu verdadeiro nome é perigoso demais para ser pronunciado, por isso aqui foi omitido. Por prudência, é preferível chamá-lo de Omulu (Filho do Senhor), ou Obaluaê (Rei, Senhor da Terra).

Ibejis
IBEJIS, Ágeis no caminhar

Ibeji, o único Orixá permanentemente duplo, aproxima-se de Exu pelo seu comportamento arquetípico independente. É formado por duas entidades distintas e sua função básica é indicar a contradição, os opostos que coexistem. A ele é associado a tudo o que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano.

Seus filhos são pessoas com o temperamento infantil, brincalhonas, sorridentes, irrequietas, de muita energia nervosa. Como marca física, aparentam menos idade do que realmente possuem. São muito dependentes em seus relacionamentos emocionais, quase sempre teimosos e possessivos. Ágeis no caminhar, não têm paciência para ficar parados por muito tempo. Odeiam profissões burocráticas e preferem os esportes onde descarregam a e energia e possam competir ou as carreiras que possibilitem algum prazer lúdico. São muito cativantes e carinhosos, com uma sensibilidade sempre à flor da pele; por isso mesmo, magoam-se com facilidade, exageram as contrariedades e agressões que recebem e se deixam levar por mal-entendidos. Gostam de vinganças, que costumam ser rápidas e esquecidas. Tendem a simplificar as coisas, reduzindo o comportamento dos outros a princípios simplistas como gosta de mim - não gosta de mim

Como a maior parte das crianças, gosta de estar em meio a muita gente. As pessoas da Umbanda freqüentemente temem Ibeji: poderoso como todo o Orixá, a criança-divindade, entretanto, entende os pedidos de maneira simplista, o que pode levar a conseqüências não previstas pelas entidades em geral. Por outro lado, têm a reputação de ser extremamente fiéis às pessoas que conquistam sua confiança.

São gêmeos, assim, têm várias características infantis como insegurança e grande desejo de brincar sem medir as conseqüências. Como são gêmeos, também mostram os dois lados da moeda: positivo e negativo, falso e verdadeiro. Com todas essa união de energias, os Ibeji protegem as coisas que estão apenas iniciando, inclusive as nascentes dos rios, o nascimento dos seres humanos as plantas que brotam.Seus filhos são pessoas muito positivas e bem-humoradas. Podem até ser briguentos, mais nunca guardam rancor.

Oxum
OXUM, Orê Yeyê ô!

Oxum é muito bonita, dengosa e vaidosa, como são geralmente as belas mulheres. Ela gosta de panos vistosos, marrafas de tartaruga e tem, sobretudo, uma grande paixão por jóias. Só uma mulher elegante como Oxum, pode possuir grandes e pesadas jóias. Oxum tem o humor caprichoso e mutável.

Alguns dias, suas águas correm aprazíveis e calmas, deslizando com graça, frescas e límpidas por entre margens cobertas de brilhante vegetação. Numerosos vãos permitem atravessar de um lado para outro. Outras vezes, suas águas tumultuadas passam estrondando, cheias de correnteza e torvelinhos, transbordando e inundando campos e florestas. Ninguém poderia atravessar de uma margem à outra, pois Oxum não toleraria tamanha ousadia!

Olowu, rei de OWU, seguido de seu exército ia para guerra. Por infelicidade tinha que atravessar o rio, num dia que este estava encolerizado. Olowu fez a Oxum uma promessa solene, entretanto mal formulada. Ele declarou que se ela baixasse o nível da águas para que ele e seu exército atravessassem, e os protegesse na guerra fazendo-o vencedor, ao voltar ele lhe entregaria nkan rere, isto é, boas coisas. Oxum compreeendeu que ele falava de sua mulher, Nkan, filha do rei de Ibadan. Ela baixou as águas e Olowu continuou sua expedição.

Quando ele voltou, algum tempo depois, vitorioso e com um espólio considerável, novamente encontrou Oxum com o humor perturbado. O rio estava turbulento e com suas águas agitadas. Olowu mandou jogar sobre suas vagas toda a sorte de boas coisas, as nkan rere prometidas. mas Oxum devolveu todas sobre a margem. Era Nkan, a mulher de Olowu que Oxum exigia. Olowu foi obrigado a submeter-se e jogou para as águas Nkan, que estava grávida. A criança nasceu no fundo do rio e Oxum o devolveu para Olowu dizendo: É Nkan que me foi prometida, não a criança. Tome-a!. As águas baixaram e Olowu voltou tristemente para suas terras.

O rei de Ibadan ao saber do fim trágico de sua filha, indignado declarou : Não foi para que ela servisse de oferenda que eu a dei em casamento para Olowu!. Ele guerreou com o genro e o expulsou do país.

CONHECENDO MAIS SOBRE OXUM

Oxun é a divindade do rio do mesmo nome que corre na Nigéria, nas regiões Ijexá e Ijebú. Era, segundo dizem, a segunda mulher de Xangô, tendo vivido antes com Ogun, Orunmila, e Oxossi, seu pai teria sido Oxalá. As mulheres que desejam ter filhos dirigem-se a Ogun pois ela, com efeito controla a fecundidade, graças aos laços mantidos com Iyami-Ajé, Minha Mãe Feiticeira. Sobre esse assunto, uma lenda conta que quando todos os Orixás chegaram à terra organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxun ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para vingar-se, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados, os Orixás voltaram a Olodumaré e explicaram-lhe as coisas iam mal sobre a terra. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os Orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhes então que que, sem a presença de Oxun e do seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderiam dar certo. De volta à terra, os Orixás convidaram Oxun para participar de seus trabalhos o que ela acabou por aceitar, depois de muito lhe rogarem . Logo em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados.

Oxun é chamada de Iyalodê, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade. Os Axés de Oxun constituem-se de pedras do fundo do rio do mesmo nome, de jóias de cobre e de um pente de tartaruga. 
O amor de Oxun pelo cobre - metal mais precioso do país Yorubá nos tampos antigos - é mencionado nas saudações que lhe são dirigidas:
Mulher elegante que tem jóias de cobre maciço.
É uma cliente dos mercadores de cobre.
Oxun limpa suas jóias de cobre antes de limpar seus filhos.

Numerosos lugares profundos, Ibus, entre Igedê, onde nasce o rio, e leké, onde eles deságua na lagoa, são os locais de residência de Oxun.

Aí, ela é adorada sob nomes diferentes e suas características são distintas umas das outras. Encontramos:
Oxun Ijumú, rainha de todas as Oxuns e que, como a que vem a seguir, está em estreita ligação com as bruxas, Ajés;
Oxun Ayalá ou Oxun Aynlá, a Grande Mãe (a Avó) que foi a mulher de Ogun;
Oxun Oxogbô, cuja fama é grande por ajudar as mulheres a ter crianças;
Oxun Apará, a mais jovem de todas, de gênio belicoso;
Oxun Abotô, muito feminina e elegante;
Oxun Abalú, a mais velha de todas;
Yeyê Ipetú;
Yeyê Ipondá, guerreira;
Yeyê Karé, muito guerreira;
Oxun Popolocum, cujo culto é realizado próximo à lagoa e que, diz-se no Brasil, não sobe à cabeça das pessoas.

Apesar de todos esses nomes e características diversas é sempre a única e mesma Oxun.
Sobre Oxun Ayalá, também chamada de Oxun Ayanlá, a Avó, diz-se que era uma mulher poderosa e guerreira que ajudava Odun Alagbedé, seu espojo, na forja, na mesma maneira que Oyá, como vimos no capítulo precedente. Ogun forjava e, quando o ferro começava a esfriar, ele o colocava no fogo, atiçado por Oxun que fazia funcionar os foles em cadência. O barulho que eles faziam kutu, kutu, kutu, era tão ritmado que parecia qu oxu tocava um instrumento de música. Um Egungun que passava pela rua se pôs a dançar, inspirado pelos sons que provinham dos foles. Os passantes maravilhados testemunharam seu contentamento oferecendo dinheiro a Egungun. Este, muito honestamente, ofereceu metade da soma recolhida a Oxun, a Avó, o que lhe valeu ser denominada de:
Tocadora de música num fole para fazer dançar Egungun.
Proprietária de um fole que sussurra como a chuva, e cuja tosse ressoa como explode o cobre e como urra o elefante.

Laços muito estreitos existem entre Oxun e os reis de Oxogbô. Neste lugar, a festa anual das oferendas a Oxun é uma comemoração pela chegada de Larô, fundador da dinastia, às margens deste rio cujas águas correm permanentemente. Larô, depois de muitas atribulações, achando o lugar favorável ao estabelecimento de uma cidade, aí se fixou com sua gente. Alguns dias depois de sua chegada, uma de suas filhas foi se banhar num rio e se perdeu sob as águas. reapareceu no dia seguinte, soberbamente vestida, declarando ter sido muito bem acolhida pela divindade do rio. Larô, para demonstrar sua gratidão, dedicou-lhe oferendas. Numerosos peixes, mensageiros da divindade, vieram comer em sinal de aceitação, as comidas que Larô havia jogado nas águas. Um grande peixe que nadava próximo ao local onde este se encontrava cuspiu-lhe água. Larô recolheu esta água numa cabaça e bebeu, fazendo assim um pacto de aliança como rio. Estendeu, depois, as duas mãos para frente e o grande peixe saltou sobre elas. Larô recebeu o título de Ataojá - contração da frase Yorubá A tewo gba ejá, Ele estende as mãos e recebe o peixe - e declarou: Oxun gbô, Oxun está em estado de maturidade, suas águas serão sempre abundantes, esta foi a origem do nome do cidad de Oxogbô.

No dia da festa anual, Ataojá vai solenemente até as margens do rio. Sua cabeça é coberta por uma coroa monumental feita com pequenas missangas reunidas e é vestido com pesada roupa de veludo. Anda com calma e gravidade, rodeado por suas mulheres e seus dignatários. Uma de sua s filhas leva, nesta procissão anual, a cabaça contendo os objetos sagrados de Oxun. É a Arugbá Oxun, aquela que leva a cabaça de Oxun. Ela representa a moça que outrora desaparecera no rio. Sua pessoa é sagrada, e o próprio rei inclina-se à sua frente. Depois que atinge a idade da puberdade ela nào pode mais preencher essa função. Mas, pela graça de Oxun, a descendência de Ataojá é sempre numerosa, não faltando, pois, a possibilidade de se encontrar uma Arugbá Oxun disponível.
Ataojá senta-se numa clareira e acolhe as pessoas que vem assistir a cerimônia. Os reis e os chefes das cidades vizinhas estão todos presentes ou enviaram representantes. as delegações chegam, uma após a outra, acompanhadas por tocadores de tambores. Trocas de saudações, prosternações e danças sucedem-se como formas de cortesia recíproca, com animação crescente.

Ao final da manhã, Ataojá, acompanhado pelo seu povo e pelos seus hóspedes, aproxima-se do rio e aí manda lançar oferendas e comidas, no mesmo lugar onde Larô o fizera outrora. Os peixes as disputam sob o olhar atento das sacerdotisas de Oxun.
Ataojá dirige-se, a seguir, até as proximidades de um pequeno templo vizinho e senta-se sobre a pedra onde seu ancestral Larô havia repousado em outros tempos. A adivinhação é feita para saber se Oxun está satisfeita e s ela tem alguma vontade de exprimir. Ataojá volta em seguida para a clareira, onde recebe e trata seus convidados com uma generosidade digna da reputação de Oxun, a rainha de todos os rios.
No Brasil, os adeptos de Oxun usam colares de contas de vidro de cor amarelo-ouro e numerosos braceletes de latão. o dia da semana que lhe é consagrado é o sábado e ela é saudada, como na África, pela expressão Oré Yeyé o!!!. Chamemos a benevolência da Mãe !!!.
É recomendável fazer sacrifícios de cabra a Oxun e ofercer-lhe patos de Molokun (mistura de cebolas, feijão de espécie fradinho, sal e camarões), de Adúm (farinha de milho misturada com mel de abelha e azeite doce). A sua dança lembra o comportamento de uma mulher vaidosa e sedutora que vai ao rio para se banhar, enfeita-se com colares, agita os braços para fazer tilintar os seus braceletes, abana-se graciosamente e contempla-se com satisfação num espelho. O ritmo que acompanha as suas danças denomina-se Igexá, nome de uma região da África, por onde corre o rio Oxun.
Ela é sincretizada, no Brasil, com Nossa Senhora das Candeias (na Bahia) e nossa Senhora dos Prazeres (em Recife), enquanto que em cuba é assimilada a Nossa Senhora da Caridade, cuja igreja encontra-se em El Cobre.

O arquétipo de Oxun é o das mulheres graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes, vestimentas caras. Das mulheres que são símbolo do charme e da beleza. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que Oyá. Elas evitam chocar a opinião pública à qual dão grande importância. Sobre sua aparência graciosa e sedutora escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social.

Nana
NANÃ, Salubá!

Nanã, a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou do “saco da criação" a terra, no ponto de contacto desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nana.

Senhora de muitos búzios, Nana sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. O seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis e, para os povos Jeje, da região do antigo Daomé, significa “mãe". Nessa região, onde hoje se encontra a República do Benin, Nana é muitas vezes considerada a divindade suprema e talvez por essa razão seja frequentemente descrita como um orixá masculino.

Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral do nosso povo: é a mãe antiga (Iyá Agbà) por excelência. É mãe dos orixás Iroko, Obaluaiê e Oxumaré, mas por ser a deusa mais velha do candomblé é respeitada como mãe por todos os outros orixás.

A vida está cercada de mistérios que ao longo da História atormentam o ser humano. Porém, quando ainda na Pré-História, o homem se viu diante do mistério da morte, em seu âmago irrompeu um sentimento ambíguo. Os mitos aliviavam essa dor e a razão apontava para aquilo que era certo no seu destino.

A morte faz surgir no homem os primeiros sentimentos religiosos, e nesse momento Nana faz-se compreender, pois nos primórdios da História os mortos eram enterrados em posição fetal, remetendo a uma ideia de nascimento ou renascimento. O homem primitivo entendeu que a morte e a vida caminham juntas, entendeu os mistérios de Nana.

Nana é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte.

Ela é a origem e o poder. Entender Nana é entender o destino, a vida e a trajectória do homem sobre a terra, pois Nana é a História. Nana é água parada, água da vida e da morte.

Nana é o começo porque Nanã é o barro e o barro é a vida. Nana é a dona do axé por ser o orixá que dá a vida e a sobrevivência, a senhora dos ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens.

Nana pode ser a lembrança angustiante da morte na vida do ser humano, mas apenas para aqueles que encaram esse final como algo negativo, como um fardo extremamente pesado que todo o ser carrega desde o seu nascimento. Na verdade, apenas as pessoas que têm o coração repleto de maldade e dedicam a vida a prejudicar o próximo se preocupam com isso. Aqueles que praticam boas acções vivem preocupados com o seu próprio bem, com a sua elevação espiritual e desejam ao próximo o mesmo que para si, só esperam da vida dias cada vez melhores e têm a morte como algo natural e inevitável. A sua certeza é a imortalidade da sua essência.

Nana, a mãe maior, é a luz que nos guia, o nosso quotidiano. Conhecer a própria vida e o próprio destino é conhecer Nana, pois os fundamentos dos orixás e do Candomblé estão ligados à vida. A nossa vida é o nosso orixá.

É na morte, condição para o renascimento e para a fecundidade, que se encontram os mistérios de Nana. Respeitada e temida, Nana, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos, é a morte na essência da vida.

Características dos filhos de Nana Burukú

Os filhos de Nana são pessoas extremamente calmas, tão lentas no cumprimento das suas tarefas que chegam a irritar. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. As pessoas de Nana parecem ter a eternidade à sua frente para acabar os seus afazeres; gostam de crianças e educam-nas com excesso de doçura e mansidão, assim como as avós. São pessoas que no modo de agir e até fisicamente aparentam mais idade.

Podem apresentar precocemente problemas de idade, como tendência a viver no passado, de recordações, apresentar infecções reumáticas e problemas nas articulações em geral.

As pessoas de Nana podem ser teimosas e “ranzinzas", daquelas que guardam por longo tempo um rancor ou adiam uma decisão. Porém agem com segurança e majestade. As suas reacções bem equilibradas e a pertinência das suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.

Embora se atribua a Nana um carácter implacável, os seus filhos têm grande capacidade de perdoar, principalmente as pessoas que amam. São pessoas bondosas, decididas, simpáticas, mas principalmente respeitáveis, um comportamento digno da Grande Deusa do Daomé.

Xango
XANGÔ, Kawo Kabiyesi le!

É um dos orixás mais populares no Brasil e zela pela justiça e pelo fogo. Também é charmoso, sensual e gosta de fazer tudo com muito prazer. Por isso, teve três esposas: Iansã, Oxum e Oba. Sentimento de derrota é uma coisa que não existe em sua personalidade. Apesar de ser famoso por sua ação repressiva e autoritária, consegue distinguir entre o bem e o mal.

O raio é sua arma, que envia como castigo a quem age de maneira contrária a seus princípios de justiça. Os filhos de Xangô são justos e odeiam a mentira e a falsidade. São muito sociáveis e costumam deixar as pessoas admiradas por sua maneira extrovertida de conversadora. Há quem os odeie por dizerem tudo o que pensam. No amor, não há problemas para conquistar, mas podem ser um pouco infiéis.

CONHECENDO MAIS DE XANGO

Como personagem histórico, Xangô teria sido o terceiro Alafin Oyo, Rei ( Senhor do Palácio) de Oyo. Era filho de Oranmiyan e de Torossí, esta filha de Elempe, rei dos Tapa, que tinha firmado uma aliança com Oranmiyan. Xangô cresceu no país de sua mãe indo se instalar, mais tarde, em Kosô, onde os habitantes não o aceitaram por causa de seu caráter violento e imperioso; mas ele conseguiu, finalmente , impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyo, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kosô. Conservou, assim, seu título de Oba Kosô que, com o passar do tempo, veio a fazer parte de seus Orikis (louvores).
Dadá-Ajaká, irmão consangüíneo de Xangô, filho mais velho de Oranmyian, reinava em Oyo por essa época. Seu caráter era calmo e desprovido da energia necessária a um verdadeiro chefe. Xangô o destronou e Dadá-Ajaká exilou-se em Igboho, durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de cauris, chamada Adé de Bayani. Depois que Xangô deixou Oyo, Dadá-Ajaká voltou a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se, agora, valente e guerreiro e, voltando-se contra os parentes da família materna de Xangô, atacou os Tapa, sem grande sucesso.
Xangô, sob seu aspecto divino, é filho de Oranmyian, tendo Yamassé como mãe e sendo marido de três divindades: Oyá, Oxun e Oba, que se tornaram rios no país Yorubá.
Xangô é viril e potente, violento e justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por este motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Xangô. O proprietário deve pagar pesadas multas ao sacerdotes do Orixá que vêm procurar, nos escombros, os Edun Ará ( pedras de raio) lançados por Xangô e profundamente enterradas no local onde o solo foi atingido.
Este Edun Ará (na realidade machados neolíticos ) são colocados sobre um pilão de madeira esculpido, odô, consagrado a Xangô. Tais pedras são consideradas emanações de Xangô e contém o seu Axé - o seu poder. O sangue dos animais sacrificados é derramado, em parte, sobre suas pedras de raio para manter-lhe a força e a potência. O carneiro, cuja chifrada tem a rapidez do raio, é o animal cujo o sacrifício mais lhe convêm. Fazem-lhe, também, oferecimentos de Amalá, iguaria preparada, com farinha de inhame regada com um molho feito com quiabos. É no entanto, formalmente proibido oferecer-lhe feijões brancos da espécie Sesé. Todas as pessoas que lhe são consagradas estão sujeita à mesma proibição.
O emblema de Xangô é o duplo machado estilizado, Oxé, que os seus iniciados trazem na mão, quando em transe.
O chocalho, chamado Xeré, feito de uma cabeça alongada, contendo pequenos grãos, é sacudido em honra a Xangô. Convenientemente agitada, quando são anunciados os seus louvores, este instrumento imita o barulho da chuva.

As saudações, Oriki, que seus fiéis lhe dirigem não deixam de ter certa graça e mostram a sua forte personalidade:
Ele ri quando vai à casa de Oxun.
Ele fica bastante tempo em casa de Oyá.
Ele usa um grande pano vermelho.
Elefante que anda com dignidade.
Meu senhor, que cozinha o inhame com o ar que escapa de suas narinas.
Meu senhor, que mata seis pessoas com uma só pedra de raio.
Se franze o nariz, o mentiroso tem medo e foge.

Xangô é o irmão mais jovem, não somente de Dadá-Ajaká como também de Obaluayê. Entretanto, não são os vínculos de parentesco, ao que parece, o que permite explicar a ligação entre o deus do trovão e os das doenças contagiosas mas , sim, prováveis origens comuns no país Tapa.

Neste lugar, Obaluayê seria mais antigo que Xangô e, por deferência para com o mais velho, em certas cidades como Saketé e Ifanyin, são sempre feitas oferendas a Obaluayê, na véspera da celebração das cerimônias para Xangô.

O pai de Xangô, Oranmiyan, tornou-se, como dissemos acima, o primeiro rei de Oyo e o fundador da dinastia dos Alafin Oyo. O mito da criação do mundo, tal como é contado em Oyo, atribuiu este ato a Oramiyan e não a Odudúa. Estes dois personagens são os fundadores das respectivas linhagens reais de Oyo e de Ifé, o que bem demonstra que o mito da criação do mundo é, de uma parte e de outra, o reflexo da lenda histórica sobre a origem das dinastias que dominam esses dois reinos.
A supremacia estabelecida por Oramiyan sobre seus irmãos nos é contada numa lenda recolhida, em Oyo, no século passado, por Jean Hess:
" No início, a terra não existia. Em cima era o céu, embaixo era a água. E nenhum ser animava a terra ou animava a água. Ora, o Todo Poderoso Olodumaré criou, no início, sete príncipes coroados. Fez aparecer em seguida sete sacos onde haviam búzios, missangas e tecidos, uma galinha e vinte e uma barras de ferro. Fez, também, com tecido preto, um volumoso pacote do qual não se via o conteúdo. Criou, enfim, uma longa corrente de ferro com a qual prendeu os tesouros e os sete príncipes. Depois, deixou que tudo caísse do alto do céu. No limite do vazio não havia senão água. Olodunmaré lançou uma noz de palma que caiu na água e, no mesmo momento uma palmeira se levou em direção aos príncipes, oferecendo-lhes um abrigo no desabrochar de seus galhos. Os príncipes aí se refugiaram e se instalaram com suas bagagens. A corrente de ferro voltou ao Todo Poderoso.
Eram todos príncipes coroados e, por conseqüência, todos queriam comandar. Resolveram se separar a fim de seguir os seus destinos. Os sete príncipes decidiram dividir, entre eles, a soma do tesouro que o Todo Poderoso lhe havia dado. Os seis mais velhos pegaram os búzios, as contas, os tecidos e tudo que julgaram precioso. Deixaram ao mais jovem, Oranmyian, o pacote de tecido preto. Ele o abriu e encontrou uma grande quantidade de substância preta que não conhecia. Sacudiu o tecido. A substância caiu na água e tornou-se um montículo. A galinha para lá voou e, logo que pousou, começou a raspar com os pés e com o bico a substância preta que se estendeu por todos os lados. O montículo foi se alargando e tomando, progressivamente, o lugar da água. Eis como nasceu a Terra, segundo a vontade do Todo Poderoso... Eis como Oraniyan tronou-se rei de Oyo e soberano de todo país Yorubá, quer dizer, de toda a Terra".

O culto de Xangô é muito popular no Novo Mundo, tanto no Brasil como nas Antilhas. Em Recife, seu nome serve mesmo para designar o conjunto de cultos africanos praticados no Estado de Pernambuco. Na Bahia, seus fiéis usam colares vermelho e branco, como na África. Quarta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Assim que saudam, gritando: Kawo-Kabiyisilé!, "Venham ver o rei descer sobre a Terra!" Os tambores Batá não são conhecidos no Brasil, embora ainda o sejam em Cuba, mas os ritmos batidos para Xangô são os mesmos.

São ritmos vivos e guerreiros, chamados Tonibodé e Alujá, e são acompanhados pelos ruídos dos Xerés, agitados em uníssono. No decurso de suas danças, Xangô brande orgulhosamente seu machado duplo e assim que a cadência se acelera ele faz o gesto de quem vai pegar num saco Labá, pedras de raio e lançá-las sobre a Terra. O simbolismo de sua dança deixa, a seguir, aparecer seu lado licenciosos e atrevido.
No decorrer de certas festas, Xangô aparece frente à assistência, trazendo sobre a cabeça um Agerê, panela cheia de furos, contendo fogo, e começa a engolir mechas de algodão inflamadas, denominadas Akará, como na África.

Na Bahia, segundo consta, existem doze Xangôs: 1. Dadá; 2. Obá Afonjá; 3. Obalubé; 4. Ogodo; 5. Obá Kosô; 6. Jakuta; 7. Aganju; 8. Baru; 9. Oranmiyan; 10. Airá Intilé; 11. Airá igbonán; 12. Airá Adjaosi.
Reina uma certa confusão nesta lista, pois Dadá (1) é irmão de Xangô, Oranmiyan (9) é seu pai e Aganju (7), um de seus sucessores. Na Bahia acredita-se que Ogodo (4)é originário do país Tapa e que segura dois Oxés quando dança, sendo o seu Edun Ará composto de dois fios. O Airá (10 a 12) seriam Xangôs muitos velhos, sempre vestidos de branco e usando contas azuis, Seji, em lugar de corais vermelhos, como os outros Xangôs. Ao que parece, teriam vindo da região de Savé.

Xangô foi sincretizado com São Jerônimo, no Brasil, e com Santa Bárbara, em Cuba. Já assinalamos, anteriormente, o caráter estranhos de semelhantes escolhas.
Na Bahia, quando uma festa é celebrada em honra de Dadá, irmão mais velho de Xangô, a cerimônia parece conter reminiscências de fatos antigos, sem que os participantes saibam, muitas vezes as histórias dos Yorubás. O Iaô de Dadá vem dançar frente a assistência, tendo na cabeça uma coroa, o Adê de Bayani. Logo depois, Xangô montado sobre um (ou uma) de seus iniciados, toma a coroa, colocando-a sobre sua própria cabeça. Após ter dançado assim adornado por um certo tempo, a coroa é restituída a Dadá.
Este elemento do ritual parece ser uma reconstituição do destronamento de Dadá-Ajaká por Xangô, e sua volta ao poder sete anos mais tarde.

O arquétipo de Xangô é aquele das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância, real ou suposta. Das pessoas que podem ser,. ao mesmo tempo, grandes senhoras, corteses, mas que não toleram a menor contradição e, nestes casos, são capazes de se deixarem levar por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso de reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. Enfim, o arquétipo de Xangô é aquele das pessoas que possuem elevado sentido de sua própria dignidade e de suas obrigações, o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e benevolência, segundo os humores do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça.

Yansa
YANSÃ, Eparei oyá!

Yansã vai à frente de todas as entidades femininas, quando elas são convocadas. Também é conhecida como OYÁ. A lenda conta que ela viveu por volta de 1.400 a.C., na Nigéria, e pertenceu a uma família real. Filha de Iemanjá e Oxalá é a mulher de Xangô. No Brasil, corresponde a Santa Bárbara, já que regente dos ventos e tempestades. Com grande força e determinação, jamais as perguntas feitas a ela ficam sem respostas.

Os filhos de Iansã são muito temperamentais. Com grande espírito aventureiro. Com grande espírito aventureiro, falam o que pensam e são atrevidos. Amam e odeiam com a mesma facilidade.

CONHECENDO MAIS SOBRE YANSA

Oyá, mais conhecida no Brasil sob o nome de Yansã, é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Niger que, em Yorubá, chama-se Odô Oyá, o Rio Oyá. Foi a primeira mulher de Xangô e tinha um temperamento ardente e impetuoso. Conta uma lenda que Xangô enviou-a em missão ao país dos Baribas, a fim de trazer-lhe um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Oyá, desobedecendo as instruções do esposo, experimentou esse preparo no caminho de volta a Oyó, tornando-se também capaz de cuspir fogo, o que provocou grande desgosto em Xangô que desejava guardar, só para si, esta terrível faculdade.
Oyá foi, no entanto, a única das mulheres de Xangô que, ao final de seu reinado, seguiu-o na sua fulga ao páis de Tapa. E quando Xangô recolheu-se para debaixo da terra, em Kosô, ela repetiu o feito em Irá.
Antes de se tornar mulher de Xangô, Oyá tinha vivido com Ogun. Vimos, em capítulos precedentes, como a aparência do deus do ferro e dos ferreiros e causou-lhe menos efeito que a elegância, o garbo e o filho do deus do trovão
Ela fugiu com Xangô e Ogun, enfurecido, resolveu enfrentar o seu rival; mas este foi à procura de Olodumaré, o deus supremo, para confessar-lhe que havia ofendido Ogun. Olodumaré interveio junto ao amante traídoe recomendou-lhe que perdoasse a afronta. E explicou-lhe: Você, Ogun, é mais velho do que Xangô! (seu avô, se acreditarmos nas lendas referidas mais acima, onde ogun é pai de Oranmiyan e este, pai de Xangô). Se, como mais velho, deseja preservar sua dignidade aos olhos de Xangô, e aos dos outros Orixás, você não deve se aborrecer, não deve brigar, deve renunciar a Oyá sem recriminações. Mas Ogunnão foi sensível a este apelo, dirigido aos seus sentimentos de indulgência. Não se resignou tão calmamente assim, lançou-se ã perseguição dos fugitivos e, como vimos anteriormente, trocou golpes de varas mágicas com a mulher infiel que foi, então, dividida em nove partes.
Este número nove, ligado a Oyá, está na origem de seu nome Yansã e encontramos esta referência no ex-Daomé, onde o culto de Oyá é feito em Porto Novo sob o nome de Avessân, no bairro Akron, Lokorô dos Yorubás, e sob o Abessân, mais ao norte, em Baningbé. Estes nomes teriam por origem a expressão Aborimesan, com-nove-cabeças, alusão, ao que parece, aos nove braços do delta do Niger.
Uma outra indicação sobre esta nome nos é dada pela lenda da criação da roupa de Egungun por Oyá. Roupas sob as quais, em certa circunstância, os mortos de uma família voltam à terra a fim se saudar seus descendentes. Oyá é o único Orixá capaz de enfrentar e de dominar os Egunguns:
Oyá se lamentava por não ter filhos. Esta triste situação era conseqüência da ignorância das suas proibições alimentares. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia carne de carneiro. Oyá resolveu consultar um Babalaô, que lhe resolveu o seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveriam figurar tecido vermelho que, mais tarde, haveria de servir para confeccionar as vestimentas dos Egunsguns. Tendo cumprido esta obrigação, Oyá tornou-se mãe de nove crianças, que se exprime em Yorubá pela frase: Iya omo mesan, origem de seu nome Yansã. Assim que a roupa de Egungun, foi criada, formou-se, em torno dessa novidade, uma sociedade composta exclusivamente de mulheres, com o objetivo de enfrentar a prepotência dos homens. Mas elas exageraram e se aproveitam da confusão provocada pela aparição desses seres estranhos, os Egunsguns, para enganar impunemente os seus maridos. Estes exasperados, conseguiram descobrir seu segredos, apoderaram-se da Sociedade e reservaram-na aos homens dela excluindo as mulheres para sempre Existe uma lenda, conhecida na África e no Brasil, que explica de que maneira os chifres de búfalo vieram a ser utilizados no ritual do culto de Oyá-Yansã: Um caçador foi em expedição à floresta. Colocando-se à espreita, percebeu um búfalo que vinha em sua direção. Preparava para matá-lo quando o animal, parando subitamente, retirou a sua pele. Uma linda mulher apareceu. Era Oyá-Yansã. Ela escondeu a pele num cupinzeiro e dirigiu-se ao mercado da cidade vizinha. O caçador apossou-se do despojo, escondendo-o no fundo de um depósito de milho, ao lado de sua casa, indo, em seguida, ao mercado a fim de fazer a corte à mulher búfalo. Ele chegou a pedi-la em casamento, mas Oyá recusou inicialmente, aceitou entretanto, quando, de volta à floresta, não mais achou a sua pele. Oyá recomendou ao caçador que não contasse a ninguém que, na realidade, ela era um animal. Viveram bem durante alguns anos. ela pôs nove crianças ao mundo, o que provocou o ciúme das outras esposas do caçador. Estas, porém, conseguiram descobrir o segredo da origem da nova mulher. Logo que o marido se ausentou elas começaram a cantar: Máa jé, máa mu, awó re nbe ninu aká, o que significa: Você pode beber e comer ( e pode exibir a sua beleza) mas a sua pele está no depósito ( você não é senão um animal). Oyá-Yansã compreendeu a alusão, achou a sua pele, revestiu-a e, tendo retomado a forma de búfalo, matou as mulheres ciumentas. Os seus chifres ela os deixou, em seguida, com os filhos, dizendo-lhes: Em caso de necessidade, bata-os um contra o outro, e eu virei imediatamente em vosso socorro. É por esta razão que chifres de búfalos são sempre colocados em locais consagrados a Oyá-Yansã.
Tive a oportunidade de recolher esta história na Bahia. Ela apresenta, entretanto, algumas variações, em relação àquela que me foi contada posteriormente na África. Mas Cosme, um velho Pai de Santo, hoje falecido, pronunciava com perfeita correção a frase Yorubá citada acima.
Os Oriki, saudações dirigidas a Oyá, descrevem-na bastante bem:
Oyá, mulher corajosa que, ao acordar, empunhou um sabre.
IOyá, mulher de Xangô.
Oyá, cujo marido é vermelho.
Oyá, que morre corajosamente com seu marido.
Oyá, vento da morte.
Oyá, ventania que balança as folhas das árvores que toda a parte.
Oyá, que é à única que pode segurar os chifres de um búfalo.
No Brasil, as pessoas dedicadas a Oyá-Yansã usam colares de contas de vidro cor e vinho. A quarta-feira é o dia semana que lhe é consagrado, o mesmo dia de Xangô, seu marido. Seus símbolos são os chifres de búfalo e um alfanje, colocados sobre seu Oeji. Ela recebe oferendas de cabras e acarajés (akará na África). Ela detesta abóbora. Carne de carneiro lhe é proibida. Quando se manifesta sobre uma das iniciadas está adornada com uma coroa cujas franjas de contas escondem o seu rosto. Ela traz um alfanje, em uma das mãos e um espanta-moscas, feito de cauda de cavalo, na outra. Suas danças são guerreiras e, se Ogun está presente, ela não deixa de se empenhar num duelo, lembrança, sem dúvida, de suas antigas divergências. Ela evoca também, por seus movimentos sinuosos e rápidos, as tempestades e os ventos enfurecidos. Seus fiéis saudam-na gritando: Epa Heyi Oyá. No Brasil, Oyá é sincretizada com Santa Bárbara e, em Cuba, com Nossa Senhora da Candelária.
Certas Yansãs, chamadas de Yansãs de Igbalé, ligadas aos cultos dos mortos, os Egunsguns, logo que começam a dançar, parecem expulsar as almas errantes com seus braços largamente abertos e estendidos para a frente.
O arquétipo de Oyá-Yansã é o das mulheres audaciosas, poderosas e autoritárias. Mulheres que podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias mas que, em outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e seus empreendimentos, são capazes de se deixar levarem à manifestações da mais extrema cólera.

Mulheres, enfim, cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extra-conjugais múltiplas e freqüentes , sem reserva nem decência, o que não as impede de continuar muito ciumentas dos seus maridos por elas mesmas enganadas.

Iemanja
YEMANJÁ, Odô Iyá

Entre as Iabás, Iemanjá é certamente a mais popular, festejada em todo Brasil como a rainha do mar, homenageada nas praias da Bahia no dia 02 de fevereiro, em São Paulo no dia 08 de dezembro e no Rio de Janeiro e em Natal na passagem do ano. Flores, perfume, jóias, bijuterias são algumas das oferendas que recebe nessas ocasiões. Muitos, porém, não vêem Iemanjá como uma divindade de origem africana, sendo comumente representada pela imagem de uma mulher branca, vestido de azul, com longos cabelos negros, muito distante da Mãe Africana de Seios Chorosos que realmente é.

Iemanjá é considerada a mãe da humanidade, grande provedora que proporciona o sustento a todos os seus filhos. Na África, dizem que Iemanjá é filha de Olokun, a riquíssima deusa do oceano, dona de todas as riquezas do mar. Iemanjá foi esposa de Orunmilá. Senhor dos oráculos, e de Olofin, o poderoso rei de Ifé, com quem teve dez filhos.

Cansada de sua permanência em Ifé e da convivência com o marido, Iemanjá fugiu do palácio em direção ao entardecer, a oeste, para as terras de Abeokutá. Sua mãe Olokun lhe havia presenteado, certa vez, com uma garrafa mágica, e disse que em caso de perigo era só quebra – la e o mar viria para socorrer Iemanjá.

Inconformado por perder sua esposa, Olofin ordenou ao exército de Ifé que fosse atrás dela. Os soldados a alcançaram, mas ela se recusou a voltar para Ifé e, ao ver – se sem saída, jogou a garrafa contra o chão, quebrando - a. Formou – se um fio que, correndo em direção ao oceano levou Iemanjá para morada de sua mãe Olokun.

Iemanjá também foi casada com Oxalá, a união claramente representada pela fusão do céu e do mar no horizonte. É considerada a mãe de todos os Orixás, é a manifestação da procriação, da restauração da emoções e símbolo da fecundidade. Seu nome deriva da expressão YEYÉ-OMO-EJÁ, significa A mãe dos Filhos Peixes.

CONHECENDO MAIS DE YEMANJA

Yemanjá, cujo o nome deriva de Yeye oman ejá, Mãe cujos filhos são peixes, é o Orixá dos Egbás, uma nação yorubá estabelecida outrora na região de Ibadan, onde existe ainda o rio Yemanjá. As guerras entre nações yorubáslevaram os Egbás a emigrar, em direção oeste, para Abeokutá, no inicio do século XIX. Evidentemente, não lhes foi possível carregar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo objetos os sagrados, suportes do Axé da divindade, e o rio Ogun, que atravessa a região, tornou-se a partir de então, a nova morada de Yemanjá.

Este rio Ogun, entretanto, não deve ser confundido com Ogun, o deus do ferro e dos ferreiros, contrariamente à opinião de numerosos autores que escrevem sobre o assunto no século passado. Estes mesmo autores publicaram, a partir de 1884, copiando-se uns aos outros, uma série de lendas escabrosas e extravagantes que fizeram a delícia dos meios eruditos, mas que eram completamente desconhecidos nos meios tradicionais.
O templo principal de Yemanjá fica em Ibará, bairro da cidade de Abeokutá. Os fiéis desta divindade vão procurar, todos os anos, a água sagrada para levar os Axés, suportes de seu poder, não no rio Ogun, mas na fonte de um de seus afluentes, chamado Lakaxá. Esta água, recolhida em jarras, é trazida em procissão para seu templo.

Yemanjá seria a filha de Olokun, deus ( em Bénin e em Lagos) ou deusa ( em Ifé) do mar. Em certa lenda, ela aparece casada pela primeira vez com Orunmila, senhor das adivinhações, depois com Olofin-Ododúa, Rei de Ifé, com o qual teve dez filhos cujas atividades bastante diversificadas e cujos nome enigmáticos parecem corresponder a outros tantos Orixás. Dois dentre eles são facilmente identificados: O arco-iris-que-desloca-com-a-chuva-e-guarda-o-fogo-nos-seus-punhos e O trovão-que-se-desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos. Estas denominações representam, respectivamente, Oxumarê e Xangô.
Yemanjá, cansada de sua permanência em Ifé, foge mais tarde em ~direção ao oeste. Olokun que havia dado, autrora, por medida de precaução, uma garrafa contendo um preparado, pois não-se-sabe-jamais-o-que-pode-acontecer-amanhã; recomendara-lhe que a quebrasse no chão em caso de perigo. E assim, Yemanjá foi se instalar na Noite-da-Terra, à este, em Abeokutá, ilusão à migração dos Egbás. Olofin-Ododúa, rei de Ifé, lançou seu exercito em procura de Yemanjá. Esta, cercada, em vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebidas. Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para Okun, o mar, lugar de residência de Olokun.

As imagens que representam Yemanjá dão-lhe o aspecto de uma matrona, com seios volumosos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva. Esta particularidade de possuir seios um pouco mais que majestosos - e somente um deles, segundo outra lenda - foi a origem de desentendimentos com seu marido, embora ela já o houvesse, honestamente, prevenido antes do casamento, dizendo-lhe que não toleraria a mínima alusão desagradável ou irônica a esse respeito. Tudo ia muito bem e o casal viva feliz. Uma noite, porém, quando o marido havia se embriagado com vinho de palma, não mais podendo controlar as suas palavras, fez comentário sobre seu seio volumoso. Tomada de cólera, Yemanjá bateu com o pé no chão e transformou-se num rio a fim de voltar para Olokun, como na lenda precedente.

As saudações a Yemanjá são bastante interessantes:
Rainha das águas que vem da casa de Olokun.
Ela usa, no mercado, um vestido de contas.
Ela espera, orgulhosamente sentada, diante do rei.
Rainha que vive nas profundezas das águas.
Nossa Mãe de seios chorosos.

Yemanjá recebe sacrifícios de carneiro e oferendas de comidas à base de milho branco, azeite, sal e cebolas.
Ela se apresenta sob diversos nomes, ligados, como no caso de Oxun, aos diversos lugares profundos, Ibús, do rio Ogun.

No Brasil, como em Cuba, dá-se sete nomes a Yemanjá e se conta:

que de Olokun, o mar, nasceram;
Yemowô, que na África é mulher de Oxalá;
Yamassê, mãe de Xangô;
Yewá ( Euá), rio que na África corre paralelo ao rio Ogun e que freqüentemente é confundido com ele;
Olossá, a lagoa na qual deságua o rio Ogun;
Yemanjá Yogunté, casada com Ogun Alagbedé. É - diz Lydia Cabrera, falando de Yemanjá em Cuba - uma amazônia terrível, que traz pendurada na cintura o facão e os outros instrumentos de ferro de Ogun. Ela é severa, rancorosa e violenta. Detesta pato e adora carneiro;
Yemanjá Assaba, ela manca e está sempre fiando algodão. Lydia Cabrera acrescenta: Ela tem um olhar insustentável, É muito orgulhosa, e somente escuta dando as costas ou ficando ligeiramente de perfil. É perigosa e voluntariosa. Usa uma corrente de prata amarrada no tornozelo. Foi mulher de Orumilá e este aceitou seus conselhos com respeito;
Yemanjá Assessú, muito voluntariosa e respeitável. Lydia Cabrera especifica que ela vive em água agitada. É muito séria. Gosta de comer pato. Muito lenta a escutar os pedidos de deus fiéis. Esquece o que lhe pedem e se põe a contar minuciosamente as penas do prato que lhe deram como oferenda. Se acontece se enganar nos seus cálculos, ela recomeça e esta operação se prolonga indefinidamente.

Na Bahia, os adeptos de Yemanjá usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro. seu Axé é constituído por pedras marinhas e conchas, guardadas numa sopeira de porcelana azul. Seus Iaôs durante o Xirê dos orixás, trazem um leque de metal branco nas mãos levadas alternadamente sobre a testa a nuca, cujo simbolismo não me foi possível perceber. Gisèle Cossard pensa que Yemanjá, por este gesto, procura chamar a atenção para a beleza de seu penteado de rainha.
Saúda-se Yemanjá gritando-se Odoyá. Sábado é o dia da semana que lhe é consagrado, juntamente com outras divindades femininas, as Ayabas, as rainhas.

Na Bahia, Yemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição, festejada no dia 8 de dezembro. Ela é mais ligada às águas salgadas do mar que às águas doces dos rios, que é domínio de Oxun. Curiosamente, porém, as pessoas fazem abstração, na Bahia, do sincretismo que liga o Oxun a Nossa Senhora das Candeias, festejada no dia 2 de fevereiro, pois é nessa data que se organiza um solene presente para Yemanjá, o que mostra que o sincretismo entre os deuses africanos e os santos da igreja católica não é de uma rigidez absoluta.
Esta festa do dia 2 de fevereiro é uma das mais populares do ano, atraindo à praia do Rio Vermelho uma multidão imensa de fiéis e de admiradores da Mãe das Águas, freqüentemente rpresentada sob a forma latinizada de uma sereia, com longos cabelos soltos ao vento. Chamam-na, também, Dona Janaína, a Princesa ou a Rainha do Mar.
Neste dia (2 de fevereiro), bem cedo pela manhã, longas filas de pessoas se formam diante da pequena casa construída rapidamente, na véspera, a fim d obrigar as grandes cestas destinadas a receber os donativos e as oferendas par Yemanjá.
Durante todo este dia, forma-se um lento desfile de pessoas de todas as origens e de todos os meios sociais, trazendo ramos de flores frescas ou artificiais, pratos de comida feitos com carinho, frascos de perfumes, sabonetes embrulhados em papel transparente, bonecas, cortes de tecidos e outros presentes agradáveis a uma mulher bonita e vaidosa. Cartas e súplicas não faltam, nem presentes em dinheiro, assim como colares e pulseiras. Em algumas horas as cestas já estão cheias e substituídas por outras. Ao final da tarde, os ramos de flores são colocados em cima das cestas, transformando-as, assim, numas 30 braçadas de flores, imensas. O entusiasmo da multidão chega ao seu máximo.

Não se escutam senão gritos alegres, saudações a Yemanjá, votos de prosperidade futura. Uma parte da assistência embarca a bordo de veleiros, barcos e lanchas a motor. A flotilha se dirige para o alto mar, onde as cestas são depositadas sobre as ondas. Segundo a tradição, para que as oferendas sejam aceitas, elas devem mergulhar até o fundo, sinal de aprovação de Yemanjá. se elas forem rejeitadas e, conseqüentemente, devolvidas à praia, é sinal de recusa para grande tristeza e decepção dos Admiradores de Yemanjá.

Tomo emprestada a descrição do arquétipo de Yemanjá de Lydia Cabrera, ela mesma filha de Yemanjá, certamente a mais competente de todas aquelas que me foi dado o prazer de conhecer: As filhas de Yemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes; põem à prova as amizades que lhe são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxun, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto.

Oxumare
OXUMARÉ, Dualidade Unipresente

Oxumarê é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce.

Algumas correntes da Umbanda, inclusive, costumam dizer que Oxumarê é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e à origem.
Em relação a Oxumarê, qualquer definição mais rígida é difícil e arriscada. Não se pode nem dizer que seja um Orixá masculino ou feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo; metade do ano é macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo a dualidade é o conceito básico associado a seus mitos e a seu arquétipo.

Essa dualidade onipresente faz com que Oxumarê carregue todos os opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc.

Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado pelo arco-íris que, segundo algumas lendas é a ponte que possibilita que as águas de Oxum sejam levadas ao castelo no céu de Xangô. Por essa lenda, é atribuído a Oxumarê o poder de regular as chuvas e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover. Ao mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a prova de que a água está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde então se aglutinará em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando o estado líquido e voltará à terra sob essa forma, recomeçando tudo de novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc.

Nos seis meses subseqüentes, o Orixá assume forma feminina e se aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior. É então, uma cobra, obrigado a se arrastar agilmente tanto na terra como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão, perdendo em transcendência e ganhando em materialismo. Sob essa forma, segundo alguns mitos, Oxumarê encarna sua figura mais negativa, provocando tudo que é mau e perigoso.

Uma interpretação antropológica mais cuidadosa, porém, pode questionar a validade dessas lendas. Não podemos nos esquecer de que tanto na África, como especialmente no Brasil, a população negra, que trazia consigo todos esses mitos, foi continuamente assediada pela colonização branca. Uma das formas mais utilizadas por jesuítas para convencer os negros, era a repressão física, mas para alguns, não bastava o medo de apanhar. Eles queriam a crença verdadeira e, para isso, tentaram explicar e codificar a religião do Orixás segundo pontos de vista cristãos, adaptando divindades, introduzindo a noção de que os Orixás, seriam santos como os da Igreja Católica, etc. Essa busca objetiva do sincretismo sem dúvida foi esbarrar em Oxumarê e na cobra - e não há animal mais peçonhento, perigoso e pecador do que ela na mitologia católica (recordar os mitos de Adão e Eva, a maçã, a concepção de pecado original, etc.). Por isso, não seria difícil para um jesuíta que acreditasse sinceramente nos símbolos de sua visão teológica. Reconhecer na cobra mais um sinal da presença dos símbolos católicos na religião do Orixás e nele reconhecer uma figura que só poderia trazer o mal. Essa, pelo menos, é uma das interpretações feitas por pesquisadores que compararam diferentes versões dos mesmos mitos que não encontraram uma divisão absoluta entre bem / arco-íris (ou masculino) e mal / cobra (ou feminino). Na verdade, o que se pode abstrair de contradições como as que apresenta Oxumarê é que este é o Orixá do movimento, da ação, da eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que norteia a vida humana. É o Orixá da tese e da antítese. Por isso, seu domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem parar, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite, positivo e negativo.

Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda. Isso gera um movimento moto-contínuo pois, enquanto não largar o próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre repetitivo- todos os movimentos dos planetas e astros do universo, regulados pela força da gravidade e por princípios que fazem esses processos parecerem imutáveis, eternos, ou pelo menos muito duradouros se comparados com o tempo de vida médio da criatura humana sobre a terra, não só em termos de espécie, mas principalmente em termos da existência de uma só pessoa. Se essa ação terminasse de repente, o universo como o entendemos deixaria de existir, sendo substituído imediatamente pelo caos. Esse mesmo conceito justifica um preceito tradicional do Candomblé que diz que é necessário alimentar e cuidar de Oxumarê muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a conseqüência será nada menos que o fim da vida no mundo.

Enquanto o arco-íris traz a boa notícia do fim da tempestade, da volta do sol, da possibilidade de movimentação livre e confortável, a cobra é particularmente perigosa para uma civilização das selvas, já que ela está em seu hábitat característico, podendo realizar rápidas incertas.

Outra fonte de indefinição a respeito do Orixá vem das contradições existentes em suas lendas no Brasil e na própria África. Oxumarê é uma divindade originária da cultura do Daomé, região centro-norte da África. Há séculos tal civilização foi dominada pelos iorubas, povo mais primitivo no sentido de organização social e visão religiosa, mas, em compensação, mais poderoso em termos de organização militar. Como aconteceu com Roma e Grécia, a dominação de uma sociedade menos rica em produções culturais ou no terreno da superestrutura em geral fizeram com que os mitos dos daomeanos não fossem apenas reprimidos, pelo contrário, os iorubas não tentaram impor sua cultura ao povo dominado. Ficaram na verdade impressionados com sua cosmologia e tentaram assimilá-la, principalmente nas figuras que não fossem formas semelhantes a divindades que também possuíssem. Oxumarê foi um desses casos. O princípio da dualidade dos iorubas fazia parte dos Orixás-crianças (Ibeji) - A dualidade que eles representam, porém, é mais próxima do comportamento contraditório e irresponsável em termos ético das crianças, ainda não reprimidas pela codificação social. Já a dualidade de Oxumarê é mais abrangente e até mesmo metafísica, pois representa os ciclos que não estão ao alcance do ser humano.

Oxumarê, Iroco, Omolu, Obaluaê e Nanã, os Orixás do Daomé mais conhecidos e cultuados, castigam quando dispostos ou provocados, mas raramente se arrependem e não possuem as falhas humanas, visíveis e humanizadas das figura do panteão ioruba.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXUMARÊ
Como é comum a todas as divindades originárias do Daomé (cultura jeje) é relativamente difícil estabelecer um arquétipo específico de comportamento associado ao Orixá, já que ele é misterioso e cheio de sombras e mitos. Os filhos de Oxumarê são bem mais difíceis de serem reconhecidos dos os guerreiros filhos de Iansã, os calmos e sábios filhos de Oxalá e os maternais e familiares filhos de Iemanjá, por exemplo. Mesmo assim, algumas características básicas podem ser listadas. Há, porém, divergências em relação às suas características ao consultarmos autores diferente. Para o renomado pesquisador Pierre Verger, por exemplo, Oxumarê pode ser associado à riqueza: Oxumarê é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos.
Já Monique Augras, segundo sua visão a respeito dos filhos de Oxumarê, eles costumam possuir o dom da vidência. Quando vivia na terra, Oxumarê previa tudo, adivinhava o que ia acontecer, a tal ponto que não era mais possível viver. Os deuses então decidiram mantê-lo afastado dos homens, pois a clarividência total acaba transformando-se em maldição. A Seu pedido, Oxumarê obteve a autorização de descer na terra de três em três anos.

Verger acrescenta que Oxumarê está associado ao misterioso, a tudo que implica o conceito de determinação além dos poderes dos homens, do destino, enfim: É o senhor de tudo o que é alongado. O cordão umbilical, que está sob seu controle, é enterrado geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.

Assim, ao arquétipo de comportamento associado à figura desse Orixá complexo está a tendência à renovação, a compulsividade à mudança. Seus filhos estão entre aquelas pessoas que, de tempos em tempos, mudam tudo em sua vida: mudam de casa, de amigos, de emprego, como se ciclos se sucedessem sempre, obrigatoriamente, exigindo e provocando rompimento com o passado e iniciando diuturnamente a busca de um novo equilíbrio que deverá persistir até num novo momento de ruptura, desintegração e substituição. Mutabilidade, reinício é seu princípio básico, aproximando-o dos mitos ocidentais referentes ao planeta Plutão, o astro da morte, da destruição, da revolução como forma de renascimento e ressurreição.

Também são apontados nos filhos de Oxumarê certos traços de orgulho e de ostentação, algo que os aproxima do clichê do novo-rico, exibicionista, quando surge um grave problema para alguém de sua amizade, e que precisa efetivamente da sua ajuda.

A androginia do Orixá, por vezes é estendida a seus filhos. Estes, segundo algumas correntes, seriam bissexuais em potencial, mas essa interpretação não é aceita universalmente.

Fisicamente, os filhos de Oxumarê tendem a se movimentar extremamente leve, pouco levantando os pés do chão. Têm em comum com a cobra a facilidade em serem silenciosos, armarem seus botes na vida sem que as pessoas em torno se apercebam disso e só atacando seus inimigos quando têm plena certeza da vitória, que a vítima está encurralada num território que não é o seu.

Oxala
OXALÁ, Êpa Orixalá!

É o primeiro orixá criado por Olorum (Deus Supremo). Ele também é conhecido pelos nomes de Orixalá e Obatalá. A missão específica de Oxalá foi criar o mundo. Segundo as lendas, ele é o pai de todos os Orixás. Portanto, está acima de todos na hierarquia divina.

Pesquisadores associam Oxalá ao elemento ar. Isso se deve ao fato de ele representar o céu – o princípio de tudo. Segundo a lenda, o céu, ao tocar o mar, teria criado os demais orixás que receberam a incumbência de cuida de todos os seres do planeta. No entanto, outra fonte diz que Oxalá foi casado com Yemanjá, e essa união deu origem aos orixás. Assim como outras crenças dizem que Oxalá teve filhos orixás com Nana Buruku – Iroko, Oxumarê e Obaluaiê (Conhecido como Omulu).

Oxalá é representado pela cor branca, que também é associada a tudo o que se refere a Umbanda. Para Oxalá, o branco significa a serenidade, a calma, o silêncio, indicando que ele não gosta de violência, disputas ou barulho, assim como não gosta de cores fortes. Oxalá é homenageado por todos os praticantes e cultuado como a figura do pai, demonstrando sabedoria a autoridade, mas também é sensível e tem a capacidade de demonstrar sua força, poder e conhecimentos sem usar de violência – através da argumentação.

Conta à lenda que Oxalá viu – se em desavença com Exu – o senhor dos caminhos. O que aconteceu foi que Oxalá recusou – se várias vezes a fazer as oferendas que Exu exigia. Então, Exu vingou – se fazendo com que Oxalá sentisse uma sede anormal. Para matar a sede, Oxalá furou a casca de uma palmeira com seu cajado (Opaxorô) e bebeu o líquido, uma espécie de vinho, embriagou – se e dormiu.

Odudua, seu irmão mais jovem e grande rival, roubou a sacola mágica e apresentou – se a Olorum, que lhe deu a tarefa da criação. Conta a lenda que no caminho entre orum e o mundo, Odudua encontra uma grande extensão de água, onde o camaleão jogou terra. Essa foi se acumulando até ficar mais alta que a linha da água, formando ilhas, enfim, a Terra. Odudua teria se estabelecido então na cidade de Ilé Ifé, com mais quinze Orixás.

CONHECENDO MAIS OXALA

Oxalá ou Obatala, o Orixá, o Rei da Roupa Branca ou, ainda, o Grande Orixá é o mais importante dos deuses Yorubá. Foi o rimeiro a ser criado por Olodumaré, o Deus Supremo, que lhe conferiu o poder de sugerir, Axé, e de realizar, Axé, razão pela qual é saudado com o título de Alabalaxé.
Oxalá tinha um caráter bastante obstinado e independente, o que lhe causaria inúmeros problemas. Foi o encarregado, por Olodumaré, de criar o mundo e o Deus Supremo entregou-lhe, antes da partida, o saco da criação. O poder que Oxalá havia recebido não o dispensava de respeitar certas regras e de se submeter a diversas obrigações. Em razão do seu caráter altivo, ele recusou-se a fazer alguns sacrifícios e oferendas a Exu, antes de iniciar sua viagem para ir criar o mundo. Oxalá se pôs a caminho apoiado numa grande bengala de estanho, seu Opa Oxorô ou Paxorô, o bastão para fazer as cerimônias

No momento de ultrapassar a porta para sair do além, encontrou Exu que, entre as suas múltiplas obrigações, tinha a de fiscalizar as comunicações entre os dois mundos, o que seria criado e o outro. Exu, descontente com a recusa do grande Orixá em fazer as oferenda pedidas, vingou-se fazendo-lhe sentir uma sede intensa. Oxalá, para matar sua sede, não teve outro recurso se não o de furar com o seu Paxarô a casca do tronco de um dendezeiro. Um liquido refrecante dele escorreu: era o vinho de palma. Oxalá bebeu-o ávida e abundantemente. Ficou bêbado, não sabia mais onde estava e caiu adormecido. Veio, então, Odudúa, criado por Olodumaré depois de Oxalá, e grande rival deste. Vendo o grande Orixá adormecido, roubou-lhe o saco da criação, dirigiu-se a presença de Olodumaré para mostrar-lhe seu achado e lhe contar em que estado se encontrava Oxalá. Olodumaré exclamou: "Se ele está neste estado, vá você, Odudúa! vá criar o mundo!" Odudúa saiu, assim, do Outro-Mundo e se encontrou diante de uma extensão ilimitada de água. Deixou cair a substância marrom contida no saco da criação. Era terra. Formou-se, antão, um montículo que ultrapassou a superfície das águas. Onde ciscava, cobria as águas e a terra ia-se alargando cada vez mais. Isto em Yorubá se diz ile ifé, expressão que deu origem ao nome da cidade de Ilê/Ifé. Odudúa aí se estabeleceu, seguido pelos outros Orixás e tornou-se o rei da Terra.

Quando Oxalá acordou não mais encontrou, ao seu lado, o saco da criação. Despeitado, voltou a Olodumaré. Este, como castigo pela sua embriaguez, proibiu a o grande Orixá, de beber vinho de palma e, mesmo, de usar azeite de dendê. Confiou-lhe, entretanto, como consolo, a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos aos quais ele, Olodumaré, insuflaria a vida.
Por esta razão, Oxalá é também chamado de Olomanrere, o "proprietário da boa agila". Pôs-se a modelar corpo dos homens mas não levava muito a sério a proibição de beber vinho de palma, e nos dias em que se excedia, os homens saíam de suas mãos contrafeitos, deformados, capengas, corcundas. Alguns, retirados do forno antes da hora, saíam mal cozidos e suas cores tornavam-se tristemente pálidos, eram os albinos. Todas as pessoas que entram nestas tristes categorias são-lhes consagrados e tornam-se adoradores de Oxalá. Oxalá - Obatalá é casado com Yemowo. Suas estátuas são colocadas lado a lado - cobertas com traços e pontos feitos com giz - no Ilessin, local de adoração deste casal, no templo Idetá-ilé, no quarteirão Itapa, em Ifé.

Yemowo foi, segundo dizem, a única mulher de Oxalá. Um caso excepcional de monogamia entre os Orixás e Eboras, muito inclinados, já o vimos anteriormente, a ter aventuras amorosas múltiplas e a renovar facilmente seus votos matrimoniais.

Oxalá é considerado, tanto no Brasil como na África, como sendo o maior dos Orixás. Seus adeptos usam colares de contas brancas e vestem-se, igualmente, de branco. Sexta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. É sincretizado com o Senhor do Bonfim, sem outra razão aparente se não a de ter um enorme prestígio, na Bahia, e inspirar, fervorosa devoção aos habitantes de todas as categorias sociais. Diz-se, na Bahia, que existem dezesseis Oxalás, sendo, porém, dois os mais evocados: Oxalufan e Oxagiyan.

O primeiro, Oxalufan, foi o rei de Ifan, é um Oxalá muito velho, curvado pelos anos, que anda com dificuldade e hesitação, como se estivesse atacado pelo reumatismo.
Ele apoia seus passos cabaleantes sobre um Paxorô, grande bastão de metal branco, encimado pela imagem de um pássaro e ornado por discos de metal e pequenos sinos. Em contraste, Oxagiyan, que foi rei de Ejigbo, é um guerreiro jovem e valente. Ele gostava, exageradamente, de inhame triturado no pilão, prato denominado Yan, em Yorubá, o que lhe valeu o apelido de "o Orixá que come inhame pilado", expressão equivalente, em Yorubá, a Orixá je iyan, que daria origem ao nome Oxagiyan. Quando as iaôs deste orixá dançam, elas brandem um pilão e um escudo numa das mãos e, na outra, uma espada. Saúdam-se estes dois Oxalás gritando-se Epa Babá, "Viva o Pai" ou, então, Exé eee!, "Boa Atividade".

Existe uma lenda, contada na Bahia, e ainda difundida na África sendo que, em Cuba, uma versão muito próxima foi recolhida por Lydia Cabrera - segundo a qual "Oxalufan rei de Ifan tinha decidido fazer uma visita a Xangô, rei de Oyo, seu vizinho e amigo. Antes de partir, Oxalufan consultou um Babalaô para saber se sua viagem se realizaria em boas condições . O Babalaô respondeu que ele seria vítima de um desastre, não devendo, portanto, realizar a viagem. Oxalufan, porém, tinha um caráter obstinado e persistiu em seu projeto. O Babalaô lhe confirmou que a viagem seria muito penosa, que teria de sofrer numerosos revezes e que, se não quisesse perder a vida, não devia nunca recusar os serviços que, por acaso, lhe fossem pedidos, nem reclamar das conseqüências que disso resultasse. Deveria, também, levar três roupas brancas para trocar.
Oxalufan se pôs a caminho e, como fosse velho, ia lentamente apoiado em seu cajado de estanho Encontrou, logo depois, Exu Elopo Pupa, "

Exu-dono-do-azeite-de-dendê", sentado à beira da estrada com um barril de azeite de dendê ao seu lado. Após uma troca de saudações, Exu pediu a Oxalufan que o ajudasse a colocar o barril sobre a sua cabeça. Oxalufan concordou e, durante a operação, Exu derramou de propósito, maliciosamente, o conteúdo do barril sobre Oxalufan, pondo-se a zombar dele. Este não reclamou, seguindo as recomendações do Babalaô. Lavou-se no rio próximo, pôs uma roupa nova e deixou a velha como presente. Continuou a andar, com esforço, e foi vítima, ainda, por duas vezes, de tristes aventuras com Exu-Eledu, "Exu-proprietário-do-carvão-de-madeira" e Exu Aladi, "Exu-proprietário-do-óleo-de-amêndoa-de-palma".

Oxalufan, sem perder a paciência, lavou e trocou de roupa após cada uma das experiências. Chegou, finalmente, à fronteira do reino de Oyo, e lá encontrou um cavalo que havia fugido, pertencente à Xangô. No momento em que Oxalufan quis amansar o animal, dando-lhe espigas de milho, e tendo a intenção de levá-lo ao seu Senhor, os servidores de Xangô, que estavam à procura do animal, chegaram correndo. Pensando que o homem idoso fosse um ladrão, caíram sobre ele com golpes de cacete, e jogaram-no na prisão. Sete anos de infelicidade se abateram no reino de Xangô. A seca comprometia a colheita, as epidemias acabavam com os rebanhos, as mulheres ficavam estéreis.

Xangô, tendo consultado um Babalaô soube que toda esta desgraça provinha da injusta prisão de um velho homem. Após seguidas buscas e diversas perguntas, Oxalufan foi levado à sua presença e ele reconheceu seu amigo Oxalá. Xangô, desesperado pelo que havia acontecido, pediu-lhe perdão e deu ordem aos seus súditos para que fossem todos vestidos de branco e guardando silêncio em sinal de respeito, buscar água três vezes seguidas a fim de lavar Oxalufan. Este, voltou em seguida à Ifan, passando por Ejigbo para visitar seu filho Oxagiyan, que feliz por rever seu pai, organizou grandes festas com distribuição de comidas a todos os habitantes do lugar".
Esta lenda é comemorada todos os anos, na Bahia, em certos terreiros, particularmente naqueles de origem Ketu, provenientes dos candomblés da Barroquinha. O ciclo dessas festas se estende por várias semanas.

Numa sexta-feira, dia da semana que no Brasil é consagrado a Oxalá, os Axés do deus são retirados do seu Peji e levados em procissão até uma pequena cabana, feita de palmas trançadas e simbolizando a viagem de Oxalufan, sua ida a prisão e seu cativeiro.
Na sexta-feira seguinte, ou seja, sete dias após, representando os sete anos de incarceração, tem lugar a cerimônia da "Água de Oxalá", águas para lavar Oxalá. Todos os que participam da cerimônia chegam de véspera, à noite. O maior silêncio é observado a partir da quinta-feira, ao findar do dia, estendendo-se até a manhã do dia seguinte. Os participantes vão, antes da aurora, pegar a "Água de Oxalá", todos vestidos de branco e com a cabeça coberta com um pano igualmente branco.

Formam um longo cortejo que vai em silêncio, procedidas por uma das mais antigas mulheres dedicadas a Oxalá, que agita sem parar um pequeno sino de metal branco, chamado Adjá. Fazem três viagens até a fonte sagrada. Nas duas primeiras. a água é derramada sobre os Axés de Oxalá. Esta parte do ritual é realizada como lembrança das pessoas do reino de Oyó que foram, em silêncio de vestidas de branco, buscar água para Oxalufan se lavar. Na terceira vez, que corresponde ao nascer do dia, os vasos cheios d'água são arrumados em volta do Axé de Oxalá. A proibição de falar é sustada, cânticos acompanhados pelo ritmos dos tambores são entoados, e transes de possessão de produzem entre as filhas de Oxalá como testemunhos da satisfação do deus.
No domingo seguinte, tem lugar uma cerimônia, pouco importante mas, exatamente uma semana depois, realiza-se uma procissão que leva os Axés de Oxalá ao seu Peji, simbolizando a volta de Oxalufan ao seu reino.
O terceiro domingo, finalizando o ciclo das cerimônias, é chamado de "Pilão de Oxagiyan" e evoca as preferências gastronômicas desse personagem. Distribuições de comidas são realizadas em seu nome, a fim de festejar a volta do pai. Neste dia, uma procissão leva ao barracão pratos contendo inhame pilado e milho cozido, sem sal e sem azeite de dendê, mas com limo da Costa. Pequenas varas de Atorí, chamadas Ixans, são entregues aos Oxalás manifestados, às pessoas ligadas ao terreiro e aos visitantes importantes. Uma roda se forma, onde as dançarinas se passam curvados diante dos Orixás que lhes dão, na passagem, um ligeiro golpe de vara; por seu lado, os que foram assim tocados, dão e recebem, golpes de vara de assistência.

Uma versão sincretizada da água de Oxalá é a lavagem do chão da basílica do Senhor do Bonfim que acontece, todos os anos, na Bahia, na quinta-feira precedente ao domingo do Bonfim. Alguns piedosos católicos tinham o hábito de lavar, zelosamente o chão da igreja. Um ato de devoção que não é particular a este templo. No Bonfim, porém, tomou um caráter diferente. Os descendentes de Africano, movidos por um sentimento de devoção, tanto ao Cristo como ao deus africano, fizeram uma aproximação entre as duas lavagens: a dos Axés de Oxalá e aquela do solo da igreja que leva o nome católico do mesmo Orixá. Os devotos aparecem em grande número a fim de participar da lavagem, na quinta-feira do Bonfim.

Esta festa é, atualmente, uma das mais populares da Bahia. Neste dia, as baianas, vestidas de branco, cor de Oxalá, vêm em cortejo à Igreja do Bonfim. Trazem à cabeça potes contendo água para lavar o chão da Igreja e flores para enfeitar o altar. São acompanhadas por uma multidão, onde sempre figuram as autoridades civis do Estado da Bahia e da Cidade de Salvador.

O arquétipo da personagem dos devotos de Oxalá é aquele das pessoas calmas e dignas de confiança; das pessoas respeitáveis e reservadas, dotadas de força de vontade inquebrantável que nada pode influenciar. Em nenhuma circunstância modificam seus planos e seus projetos, mesmo a despeito das opiniões contrárias, racionais, que os alertam para possíveis conseqüências desagradáveis dos seus atos. Tais pessoas no entanto, sabem aceitar, sem reclamar, os resultados amargos daí decorrentes.
O imenso respeito que o Grande Orixá inspira às pessoas do candomblé revela-se plenamente quando chega ao momento da dança de Oxalufan. Com esta dança, fecha-se geralmente a noite, e os outros Orixás presentes vêm cercá-lo e sustentá-lo, levantando a bainha de sua de sua roupa para evitar que ele a pise e venha a tropeçar. Oxalufan, e aqueles que os escoltam, seguem o ritmo da orquestra que interrompem a cadência em intervalos regulares, levando-os a dançar alguns passos hesitantes, entrecortados de paradas, no decorrer do quais o conjunto de Orixás abaixa o corpo, deixa cair os braços e a cabeça, por um breve momento, como se estivessem cansados e sem forças. Não é raro ver pessoas que, vindas como espectadoras, deixam-se tomar pelo ritmo, dançam e agitam-se em seus lugares, acompanhando o desfalecer do corpo e a retomada dos movimentos, conjuntamente com os Orixás, num afã de comunhão com o Grande Orixá, aquele que foi, em tempos remotos, o Rei dos Igbos, longe, bem longe, em Iluayé, a Terra da África.

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